A cada dia cresce a porcentagem de nipo-brasileiros vítimas de diabetes.

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A cada dia cresce a porcentagem de nipo-brasileiros vítimas de diabetes.

A imigração japonesa no Brasil teve início oficialmente em 18 de junho de 1908, quando o navio Kasato Maru aportou em São Paulo, trazendo 781 lavradores para as fazendas do interior paulista. O fluxo cessou quase que totalmente em 1973, com a vinda do último navio de imigração Nippon Maru, contando-se quase 200 mil japoneses estabelecidos no país.

 

Atualmente, o Brasil abriga a maior população de origem japonesa fora do Japão, com cerca de 1,5 milhão de nikkeis (termo usado para denominar os japoneses e seus descendentes).

Diabetes em Nipo-brasileiros

A constituição física dos japoneses favorece o aumento dos casos de síndrome metabólica, que é a conjunção de altos índices de colesterol, hipertensão, diabetes e obesidade abdominal. De acordo com a professora Sandra Roberta Gouvêa Ferreira, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, a porcentagem de diabetes em nipo-brasileiros pulou de 22,6% para 36,1%, entre 1993 e 2000, uma das maiores taxas do mundo. No Japão, esse índice é de apenas 6,9%, e na população geral brasileira, de 5,2%, segundo o Atlas da Federação Internacional de Diabetes.

 

A informação foi apurada pelo grupo Japanese-Brazilian Diabetes Study Group (JBDSG), que reúne pesquisadores da USP e Unifesp, hoje liderado pela professora Sandra. “Se eles moram no Brasil, os riscos aumentam ainda mais devido à nossa dieta rica em carne vermelha gordurosa, diferente da habitual e de baixo nível calórico ingerida em seu país de origem“, ressalta a pesquisadora.

 

Em 2000, 84% do pessoal avaliado pelo grupo apresentavam altas taxas de colesterol no sangue. A pesquisa foi feita com 647 pessoas em 1993, e outras 1.330, em 2000, de primeira e segunda gerações de japoneses residentes em Bauru, no interior de São Paulo. Nestes sete anos de acompanhamento, a mortalidade na população estudada foi duas vezes maior entre pessoas com diabetes do que entre aqueles com tolerância normal à glicose. “Os dados são preocupantes, já que a maior população de origem japonesa que vive fora do Japão reside em nosso País”, comenta a especialista.

 

A explicação para os dados, segundo a pesquisadora, tem origem em fatores genéticos e ambientais: o estresse da migração, a diminuição das atividades físicas e as mudanças nos padrões da dieta aliados à constituição física da população nikkei (descendentes nascidos fora do Japão ou japoneses que vivem regularmente no exterior). Enquanto que no Japão a porcentagem de gordura não chega a 17% na dieta diária, aqui esta taxa ultrapassa os 32%. Além disso, o tipo físico dos nipônicos favorece o segundo pior perfil de risco para doenças cardiovasculares, já que ele concentra a gordura na região abdominal em vez de distribuí-la uniformemente pelo corpo. Para um japonês ser considerado obeso, seu IMC (Índice de Massa Corporal) – que é o peso dividido pela altura ao quadrado – deve estar acima de 25, enquanto que para os ocidentais esse número sobe para 30. E, mesmo que ele não tenha IMC maior que 25, poderá ser de alto risco cardiovascular se apresentar deposição de gordura no interior do abdômen (também chamada de gordura visceral).

 

Fonte: http://www.saudeemmovimento.com.br/reportagem/noticia_print.asp?cod_noticia=2440

Texto: Laura Lopes

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Bruno Ribeiro Soares
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